Polêmica Espírita – Allan Kardec

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Perguntaram-nos muitas vezes por que não respondíamos, em nossa revista, aos ataques de certas folhas contra o Espiritismo em geral, contra os seus partidários e por vezes mesmo contra nós. Cremos que em certos casos é o silêncio a melhor resposta. Além do mais, há um gênero de polêmica do qual tomamos por norma nos abstermos: a que pode degenerar em personalismo. Isto não só nos repugna, como nos tomaria um tempo que não podemos empregar inutilmente, além de ser muito pouco interessante para os nossos leitores, que assinam a revista para sua instrução e não para ler diatribes mais ou menos espirituosas. Ora, uma vez nesse caminho, difícil seria dele sair. Por isto preferimos nele não entrar. Parece-nos que com isto o Espiritismo só teria a ganhar em dignidade. Até aqui só temos que aplaudir a nossa própria moderação, da qual não nos arredaremos. Jamais daremos satisfação aos amantes de escândalos.

Entretanto, há polêmica e polêmica. Há uma ante a qual jamais recuaremos ─ é a discussão séria dos princípios que professamos. Contudo, aqui também deve ser feita uma distinção. Se se trata apenas de ataques gerais, dirigidos contra a doutrina, sem um fim determinado, além do de criticar, e se partem de pessoas que rejeitam sistematicamente tudo quanto não compreendem, não merecem a nossa atenção. O terreno diariamente ganho pelo Espiritismo é resposta peremptória e lhes deve provar que os sarcasmos não têm produzido grande resultado. Ainda há a notar que as intermináveis pilhérias de que eram vítimas os partidários da doutrina vão se extinguindo pouco a pouco. É o caso de perguntar se há motivos para rir de tantas pessoas eminentes, pelo fato de adotarem as ideias novas. Hoje alguns esboçam um sorriso apenas por hábito, enquanto outros absolutamente não riem mais e esperam.

Notemos ainda que entre os críticos há muita gente que fala sem conhecimento de causa e sem se ter dado ao trabalho de aprofundar-se. Para lhes responder fora necessário, incessantemente, recomeçar as mais elementares explicações e repetir aquilo que já escrevemos, o que nos parece inútil. Já o mesmo não se dá com os que estudaram e nem tudo compreenderam e com os que realmente querem esclarecerse, que levantam objeções de boa-fé e com conhecimento de causa. Neste terreno aceitamos a controvérsia, sem nos gabarmos de resolver todas as dificuldades, o que seria demasiada pretensão. A ciência espírita está em seu início e ainda não nos revelou todos os seus segredos, por maiores que sejam as maravilhas já desveladas. Qual a ciência que não mais possui fatos misteriosos e inexplicados? Confessaremos, pois, sem nenhum acanhamento, a nossa insuficiência sobre os pontos que ainda não podemos explicar. Assim, longe de repelir as objeções e as perguntas, nós as solicitamos, desde que não sejam irrelevantes e não nos façam inutilmente perder tempo com futilidades, pois que é esse um meio de nos esclarecermos.

É a isto que denominamos polêmica útil, e será útil sempre que ocorrer entre gente séria, que se respeita o bastante para não perder o decoro. Podemos pensar de modo diverso sem diminuirmos a estima recíproca.

Afinal de contas, que buscamos todos nessa palpitante e fecunda questão do Espiritismo? Esclarecermo-nos. Antes de mais nada buscamos a luz, venha de onde vier, e se externamos a nossa maneira de ver, não se trata de uma opinião pessoal, que pretendamos impor aos outros. Entregamo-la à discussão e estamos dispostos a renunciá-la, se nos demonstrem que estamos em erro.

Essa polêmica, nós a sustentamos diariamente, em nossa Revista, através das respostas ou das refutações coletivas que publicamos a propósito deste ou daquele artigo. Aqueles que nos honram com suas cartas encontrarão sempre a resposta ao que nos perguntam, toda vez que não nos é possível responder em carta particular, o que nem sempre é materialmente possível. Suas perguntas e objeções constituem outros tantos assuntos de estudo, de que nos aproveitamos pessoalmente; e nos sentimos felizes por estender esse proveito aos leitores, à medida que se apresentam fatos em conexão com as mesmas. Também sentimos prazer em dar explicações verbais às pessoas que nos honram com a sua visita e nas conferências caracterizadas por um cunho de entendimento, nas quais nos esclarecemos mutuamente.

(Revista Espírita – Novembro de 1858 – Polêmica espírita)

Fonte: https://www.kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/20/revista-espirita-jornal-de-estudos-psicologicos-1858/4461/novembro/polemica-espirita

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ORAÇÃO – EMMANUEL

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A noite de 29 de julho de 1954 foi para nós de gratidão e júbilo.

Antevéspera do segundo aniversário de nossa fundação, foi a escolhida para a inauguração da sede definitiva do nosso Grupo, em Pedro Leopoldo. Instalados então em nossa casa simples, entregamo-nos à alegria íntima, através do serviço habitual, sem qualquer manifestação festiva de ordem exterior.

No término de nossas tarefas, Emmanuel, o nosso benfeitor de sempre, ocupou os recursos psicofônicos do médium e pronunciou a presente oração de agradecimento, que acompanhamos com toda a alma.

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Senhor Jesus, vimos de longe para agradecer-te a bondade.

Viajantes no tempo, procedemos de Tebas, da Babilônia, de Heliópolis, de Atenas, de Esparta, de Roma…

Tantas vezes, respiramos na grandeza terrestre!

Petrificados na ilusão, povoamos palácios de orgulho, castelos de soberba, casas solarengas da vaidade e dominamos cruelmente os fracos, desconhecendo a bênção do amor…

Reunidos aqui, hoje, em nosso pouso de fraternidade e oração, rogamos-te força para converter a existência em colaboração contigo!

Nós que temos guerreado e ferido a outrem, imploramos-te, agora, recursos para guerrear as nossas fraquezas e ferir, de rijo, nossas antigas viciações, a fim de que nos transformemos, afinal, em teus servos…

Ajuda-nos a regenerar o coração pela tua Doutrina de Luz, para que estejamos conscientes de nosso mandato.

Para isso, porém, Senhor, faze-nos pequeninos, simples e humildes…

Oleiro Divino, toma em tuas mãos o barro de nossas possibilidades singelas e plasma a nossa individualidade nova, ao calor de tua inspiração, para que, como a fonte, possamos estender sem alarde os dons de tua misericórdia, na gleba de ação em que nos convidas a servir.

Sem tuas mãos, estaremos relegados às nossas próprias deficiências; sem teu amor, peregrinaremos, abandonados à miséria de nós mesmos…

Mestre, cujos ouvidos vigilantes escutam no grande silêncio e cujo coração pulsa, invariável, com todas as necessidades e esperanças, dores e alegrias da Terra, nós te agradecemos pelo muito que nos tens dado e, ainda uma vez, suplicamos-te acréscimo de forças para que não estejamos distraídos…
Senhor, cumpra-se em nós a tua vontade e que a nossa vida seja, enfim, colocada a teu serviço, agora e sempre…

oOo

Houve expressivo interregno na comunicação do amigo espiritual. Em seguida, modificando a inflexão de voz, como se estivesse retirando o próprio sentimento da invocação a Jesus para entrar em familiaridade conosco, passou a dirigir-nos a palavra, em tom mais íntimo, continuando:

E a vós, meus amigos, com quem misturamos nossas lágrimas de regozijo e reconhecimento, dirigimos também nosso apelo!…

Achamo-nos em nova casa de trabalho…

Quantas vezes temos visto, no curso dos milênios, colunas aparentemente gloriosas transubstanciadas em pó, albergando ilusões que nos arremessaram ao charco das zonas inferiores!…

Nós que temos caminhado sobre os nossos próprios ídolos mortos, na insignificância da nossa condição de hoje, atentemos para a magnitude das nossas obrigações, aprendendo, por fim, a humildade, para não trairmos a confiança recebida…

Cessem para sempre em nós a impulsividade e a crítica, o egoísmo e a crueldade, porque toda a nossa grandeza terrena do pretérito foi bem miserável, restando-nos tão-somente a felicidade de estender mãos fervorosas ao Mestre Divino, para que ele nos ampare e renove…

Em nosso novo templo, sentimos a simplicidade reconquistada para que nos disponhamos ao espírito de serviço.

Prevaleça, então, em nós a compreensão fraternal cada vez mais ampla!
que o amor do Cristo nos governe os atos de cada dia, através da bondade e da paciência ]incessantes.

Convosco temos aprendido a alegria de confiar e servir e, nas horas escuras ou claras, agradáveis ou difíceis, temos sido ao vosso lado, não o orientador que nunca fomos, mas sim o companheiro e o irmão que podemos ser…

Nessa posição, estaremos em vossa companhia, cultivando o ideal de nossa transformação em Cristo Jesus.

Aprendamos, enfim, a dar de nós mesmos, em esperança e boa-vontade, trabalho e suor, tudo aquilo que constitui nossa própria vida, a benefício dos outros, para entrarmos na posse da Vida Abundante, reservada aos que se rendem à cooperação com a Providência Divina…

Partilham-nos a prece deste momento não apenas aqueles que se constituíram associados de nossa presente tarefa espiritual, mas também velhos amigos, dentre os quais avultam sacerdotes, guerreiros, juízes, legisladores, legionários, combatentes, intérpretes de leis humanas e inúmeras almas queridas que, em outro tempo, vitimadas pelos próprios enganos, desceram conosco ao despenhadeiro de lutas expiatórias!…

Todos, de armas ensarilhadas, desejamos atualmente para nós a espada do Cristo, a cruz, cuja lâmina, em se voltando para baixo, nos ensina que o trilho de paz e renunciação é o único capaz de conduzir-nos à verdadeira ressurreição.

Convosco lutamos, contando com o vosso concurso no trabalho constante do bem, pelo qual, um dia, nascerá a nossa comunhão perfeita com a luz divina.

Meus amigos, em nome de quantos oram conosco e de quantos esperam por nós, reiteramos o nosso profundo reconhecimento ao Senhor, implorando-lhe auxílio em socorro de nossas necessidades e levando-lhe igualmente a certeza de que  que perseveraremos no esforço de nossa regeneração, até o fim.

(Do livro “Instruções psicofônicas – FEB, por Espíritos Diversos, pelo médium F. C. Xavier.)

Entra e coopera – Emmanuel

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Mas levanta-te e entra na cidade, [lá] te será dito o que é necessário fazer. (Atos 9:6)

Esta particularidade dos Atos dos apóstolos reveste-se de grande beleza para os que desejam compreensão do serviço com o Cristo.

Se o Mestre aparecera ao rabino apaixonado de Jerusalém, no esplendor da Luz Divina e Imortal, se lhe dirigira palavras diretas e inolvidáveis ao coração, por que não terminou o esclarecimento, recomendando-lhe, em vez disso, entrar em Damasco, a fim de ouvir o que lhe convinha saber? É que a Lei da Cooperação entre os homens é o grande e generoso princípio, com o qual Jesus segue, de perto, a Humanidade inteira, pelos canais da inspiração.

O Mestre ensina aos discípulos e consola-os por intermédio deles próprios. Quanto mais o aprendiz lhe alcança a esfera de influenciação, mais habilitado estará para constituir-se em seu instrumento fiel e justo.

Paulo de Tarso contemplou o Cristo ressuscitado, em sua grandeza imperecível, mas foi obrigado a socorrer-se de Ananias para iniciar a tarefa redentora que lhe cabia junto dos homens.

Essa lição deveria ser bem aproveitada pelos companheiros que esperam ansiosamente a morte do corpo, suplicando transferência para os mundos superiores, tão somente por haverem ouvido maravilhosas descrições dos mensageiros divinos. Meditando o ensinamento, perguntem a si próprios o que fariam nas esferas mais altas, se ainda não se apropriaram dos valores educativos que a Terra lhes pode oferecer.

Mais razoável, pois, se levantem do passado e penetrem a luta edificante de cada dia, na Terra, porquanto, no trabalho sincero da cooperação fraternal, receberão de Jesus o esclarecimento acerca do que lhes convém fazer.


(Texto extraído de O EVANGELHO POR EMMANUEL: COMENTÁRIOS AOS ATOS DOS APÓSTOLOS e originalmente publicado em “Caminho, verdade e vida”, FEB Editora. Cap. 39, Psicografia de F. C. Xavier)

 

QUE FAZEMOS DO MESTRE? – Emmanuel

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“Que farei então de Jesus, chamado o Cristo?” – Pilatos (Mateus, 27:22).
Nos círculos do Cristianismo, a pergunta de Pilatos reveste-se de singular importância.
Que fazem os homens do Mestre Divino, no campo das lições diárias?
Os ociosos tentam convertê-lo em oráculo que lhes satisfaça as aspirações de menor esforço.
Os vaidosos procuram transformá-lo em galeria de exibição, através da qual façam mostruário permanente de personalismo inferior.
Os insensatos chamam-no indebitamente à aprovação dos desvarios a que se entregam, a distância do trabalho digno.
Grandes fileiras seguem-lhe os passos, qual a multidão que o acompanhava, no monte, apenas interessada na multiplicação de pães para o estômago.
Outros se acercam d’Ele, buscando atormentá-lo, à maneira dos fariseus arguciosos, rogando “sinais do céu”.
Numerosas pessoas visitam-no, imitando o gesto de Jairo, suplicando bênçãos, crendo e descrendo ao mesmo tempo.
Diversos aprendizes ouvem-lhe os ensinamentos, ao modo de Judas, examinando o melhor caminho de estabelecerem a própria dominação.
Vários corações observam-no, com simpatia, mas, na primeira oportunidade, indagam, como a esposa de Zebedeu, sobre a distribuição dos lugares celestes.
Outros muitos o acompanham, estrada a fora, iguais a inúmeros admiradores de Galiléia, que lhe estimavam os benefícios e as consolações, detestando-lhe as verdades cristalinas.
Alguns imitam os beneficiários da Judéia, a levantarem mãos-postas no instante das vantagens, e a fugirem, espavoridos, do sacrifício e do testemunho.
Grande maioria procede à moda de Pilatos que pergunta solenemente quanto ao que fará de Jesus e acaba crucificando-o, com despreocupação do dever e da responsabilidade.
Poucos imitam Simão Pedro que, após a iluminação no Pentecostes, segue-o sem condições até à morte.
Raros copiam Paulo de Tarso que se ergue, na estrada do erro, colocando-se a caminho da redenção, através de impedimentos e pedradas, até ao fim da luta.
Não basta fazer do Cristo Jesus o benfeitor que cura e protege. É indispensável transformá-lo em padrão permanente da vida, por exemplo e modelo de cada dia.
(Do livro Vinha de Luz – FEB, psicografado por Francisco Cândido Xavier)

O trabalhador divino – Emmanuel

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“A pá está na sua mão para limpar sua eira e recolher o trigo no seu celeiro, todavia queimará a palha com fogo inextinguível.” (Lucas 3: 17)

Apóstolos e seguidores do Cristo, desde as organizações primitivas do movimento evangélico, designaram-no através de nomes diversos.

Jesus foi chamado o Mestre, o Pastor, o Messias, o Salvador, o Príncipe da Paz; todos esses títulos são justos e veneráveis; entretanto, não podemos esquecer, ao lado dessas evocações sublimes, aquela inesperada apresentação do Batista. O Precursor designa-o por trabalhador atento que tem a pá nas mãos, que limpará o chão duro e inculto, que recolherá o trigo na ocasião adequada e que purificará os detritos com a chama da justiça e do amor que nunca se apaga.

Interessante notar que João não apresenta o Senhor empunhando leis, cheio de ordenações e pergaminhos, nem se refere a Ele, de acordo com as velhas tradições judaicas, que aguardavam o Divino Mensageiro num carro de glórias magnificentes. Refere-se ao trabalhador abnegado e otimista. A pá rústica não descansa ao seu lado, mas permanece vigilante em suas mãos e em seu espírito reina a esperança de limpar a terra que lhe foi confiada às salvadoras diretrizes.

Todos vós que viveis empenhados nos serviços terrestres, por uma era melhor, mantende aceso no coração o devotamento à causa do Evangelho do Cristo. Não nos cerceiem dificuldades ou ingratidões. Desdobremos nossas atividades sob o precioso estímulo da fé, porque conosco vai à frente, abençoando-nos a humilde cooperação, aquele trabalhador divino que limpará a eira do mundo.

(O Evangelho por Emmanuel: comentários ao Evangelho segundo Lucas (FEB), psicografado por F. C. Xavier e organizado por Saulo Cesar Ribeiro da Silva)

 

Comunicação do Espírito Bezerra de Menezes no 9º Congresso Estadual Espírita do RS

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Senhor Jesus,

Avança a tenebrosa noite das paixões. O crime e a hediondez dão-se as mãos no festival da loucura. As almas estorcegam no baile do desespero. As tempestades açoitam a Natureza ameaçando de caos. No entanto, a noite densa e aparvalhante lentamente cede lugar à madrugada libertadora.

A semelhança de um novo exército que atende a voz de comando, miríades de seres estelares mergulham na sombra da matéria para dar início à Era Nova.

Soam os clarins da Verdade em toda a parte. A esperança, a semelhança de uma primavera abençoada, aparece nos corações encharcados de angústia anunciando a chegada do Rei Solar à Terra em refazimento.

Desejamos louvar-te pelos anúncios e profecias anunciando o mundo pleno de corações redimidos e, por isso mesmo, rompe-se a densa cortina entre o mundo físico e o espiritual para que os Numes Tutelares volvam à Terra sofrida e restaurem a paz.

Somos aqueles que aprendemos a servir-te e compreendemos, a partir deste momento profundamente significativo, que o lema a viver é o amor e o paradigma a sustentar e demonstrar a nossa fé é o serviço. Recebe, desse modo, nossas almas profundamente coroadas pelas dádivas honrosas do sofrimento superado, dedicando-se a construção da plenitude em teu nome.

Encerramos uma etapa, outras são desenhadas para o porvir quando estarás reinando sobre nós e, na condição de servos, fiéis far-nos-emos assinalar pelas condecorações que conseguirmos em teu nome, as cicatrizes morais, as marcas de fidelidade.

Ontem, em holocausto, deram-te a existência os heróis que semearam a Tua luz na Terra, hoje também nos oferecemos em holocausto de ternura para que domines as províncias humanas. Já não serão necessários os circos, as arenas, o cárcere, o empalamento, a jogada nos fossos do padecimento, mas não podemos esquecer que para estar contigo necessitamos despir-nos das pesadas cangas do egoísmo, os fardos do ódio e do remorso, as culpas que nos atormentam, e superar as más inclinações.

Estamos dispostos Senhor, a doar-nos para aquilo que desejas em prol do mundo novo e melhor. Aqui estão os trabalhadores de ontem, que fracassamos, renovando entusiasmo e repetindo tarefas. Dispõe de nós como seareiros da última hora abençoando as existências com a entrega total ao teu amor.

Filhas e filhos do coração, Jesus é a solução final de todas as angústias!

Não temamos o mal nem as armadilhas da insensatez e da perversidade. Somente lobos caem nas armadilhas de lobos. A catapulta do amor alçar-nos-á aos altos cimos da imortalidade e cantaremos hosanas em triunfo, passadas as noites de tormentas e os dias de ansiedade.

Nós, os Espíritos espíritas, estamos convosco neste momento de alta significação. Exultemos juntos e juntos avancemos na direção do Mestre que nos guiará ao Reino da Plenitude.

Em nome de Deus, evocando a figura incomparável de Jesus, graças à misericórdia da Mãe Santíssima e o devotamento dos Guias Espirituais, consideramos encerrado este congresso na sua organização material, mas as suas luzes continuarão futuro afora, iluminando o caminho de todos nós na conquista do Reino de Deus.

Recebam, filhos e filhas, o carinho dos Espíritos encarregados de vos proteger e guiar, e o abraço do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra de Menezes.

Muita Paz.

(Psicofonia recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco no encerramento do 9º Congresso Estadual Espírita do Rio Grande do Sul, promovido pela FERGS, no dia 05/11/2017, na cidade de Porto Alegre)

 

 

Círculos Intercessórios – Emmanuel

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(Psicografado por F. C. Xavier)

“Ajudando-nos também vós com orações por nós, para que pela mercê, que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito”
II Coríntios, 1:11

O mal empreende o ataque, o bem organiza a defesa. O primeiro movimenta a agressão, estabelece o terror, espalha ruínas. O segundo mobiliza o direito, cria energias novas, eleva sentimentos e consciências.

Os povos pacíficos da atualidade encontram problemas de solução imediata, cuja equação requer ânimo sadio. Como interpretar o assédio da força? Como receber as novas modalidades de tirania?

O ataque do mal vem à sombra da noite, o golpe traiçoeiro não espera declarações diplomáticas, nem a invasão generalizada obedece a protocolos políticos.

Muitas nações mantiveram-se à margem dos grandes conflitos, guardando a neutralidade e as tradições do direito internacional. Nem por isso, todavia, tornaram-se respeitadas. A onda de barbarismo envolve países, coletividades, continentes.

É necessário que o bem organize a defesa.

Muita gente pergunta:- Combater por quê? Estamos com Jesus que ensinou o bem e a paz. Entretanto, é indispensável não esquecer que existem padrões de pacifismo e padrões de passividade.

O Mestre é o Príncipe da Paz. Contudo, é imprescindível raciocinar quanto ao que seria do cristianismo se Jesus houvesse entrado em acordo com os fariseus do templo… A batalha do Calvário iniciou o movimento de defesa do Evangelho.Continuaram, então, as batalhas cristãs, desde os circos romanos até aos campos sangrentos da atualidade.
Eis que o Brasil, generoso e pacífico, foi convocado às lutas da defesa. Nesta hora grave, recordemos a exortação confiante de Paulo:- “Fundemos círculos intercessórios para a cooperação ativa junto às vanguardas vigilantes”.

Organizemos ligas de orações nos templos, nas instituições e nos lares, compadecendo, espiritualmente no esforço defensivo, auxiliando também nós, no valoroso combate do bem.

(Extraído do livro Alma e Luz – IDE, Capítulo: 4)

 

Espíritas de coração*

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“Um fato constante e característico, e que devemos considerar como um grande progresso, é a diminuição gradativa e mais ou menos geral das prevenções contra as ideias espíritas, mesmo entre os que delas não compartilham. Agora se reconhece a cada um o direito de ser espírita, como o de ser judeu ou protestante. Já é alguma coisa. As localidades onde, como em Illiers, no departamento de Eure-et-Loir, estimulam os garotos a corrê-los a pedradas, são exceções cada vez mais raras.

Um outro sinal de progresso não menos característico é a pouca importância que, por toda parte, os adeptos, mesmo nas classes menos esclarecidas, ligam aos fatos de manifestações extraordinárias. Se efeitos desse gênero se produzem espontaneamente, constatam-nos, mas não se comovem, não os procuram e, ainda menos, tratam de provocá-los. Apegam-se pouco àquilo que apenas satisfaz aos olhos e à curiosidade; o objetivo sério da doutrina; suas consequências morais; os recursos que ela pode oferecer para alívio do sofrimento; a felicidade de reencontrar parentes ou amigos que se perdeu, conversar com eles, escutar conselhos que vêm dar, constituem o objetivo exclusivo e preferido das reuniões espíritas. Mesmo no campo e entre os artífices, um poderoso médium de efeitos físicos seria menos apreciado que um bom médium escrevente que desse, por comunicações raciocinadas, o consolo e a esperança. O que se busca na doutrina é, antes de tudo, o que toca o coração. É uma coisa notável a faculdade com que mesmo as pessoas mais iletradas compreendem e assimilam os princípios desta filosofia. É porque não é necessário ser sábio para ter sentimento e raciocínio. Ah! dizem eles, se sempre nos tivessem falado assim, jamais teríamos duvidado de Deus e de sua bondade, mesmo nas maiores misérias.

Sem dúvida, crer é alguma coisa, porque já é um pé no bom caminho, mas a crença sem a prática é letra morta; ora, sentimo-nos feliz em dizer que, em nossa curta excursão, entre numerosos exemplos de efeitos moralizadores da doutrina, encontramos bom número desses espíritas de coração que poderíamos dizer completos se fosse dado ao homem ser completo no que quer que fosse, e que podem ser olhados como os tipos da geração futura transformada; há representantes de ambos os sexos, de todas as idades e condições, desde a juventude até o limite extremo da idade, que a partir desta vida compreendem as promessas que nos são feitas para o futuro. Eles são fáceis de reconhecer; há em todo o seu ser um reflexo de franqueza e de sinceridade que a confiança impõe; desde logo sente-se que não há nenhuma segunda intenção dissimulada sob palavras douradas e cumprimentos hipócritas. Em torno deles, e mesmo nas classes menos favorecidas, sabem fazer reinar a calma e o contentamento. Nessas abençoadas regiões interioranas respira-se uma atmosfera serena que nos reconcilia com a Humanidade, e compreendemos o reino de Deus sobre a Terra. Felizes os que sabem gozá-lo por antecipação! Em nossas excursões espíritas, o que mais nos satisfaz não é o número dos crentes que contamos. O que mais nos satisfaz são esses adeptos que são a honra da doutrina e que são, ao mesmo tempo, os mais firmes esteios, porque fazem-na estimada e respeitada por eles mesmos.

Vendo o número de felizes que faz o Espiritismo, esquecemos facilmente as fadigas inseparáveis de nossa tarefa. Eis uma satisfação, um resultado positivo que a malevolência mais encarniçada não nos pode roubar. Poderiam tirar-nos a vida, os bens materiais, mas jamais a felicidade de ter contribuído para reconduzir a paz a corações ulcerados. Para quem quer que sonde os motivos secretos que fazem certos homens agirem, há lama que suja as mãos dos que a atiram e não aqueles em quem é lançada.”

Allan Kardec

(Revista Espírita, junho de 1867 – Breve excursão espírita)

* O título da postagem é nosso e a mesma é um excerto do artigo do Codificador logo acima referido.

Vigiemos – Emmanuel

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Espíritas!

Realmente a vós outros, servidores do Senhor no Evangelho Restaurado, muito se pedirá no amanhã pelo muito que recolheis no hoje de serviço.

Cultivai o campo da verdade, orientando-vos pelo amor puro e simples.

A gleba dos corações humanos espera, sobretudo, por vosso exemplo, a
fim de submeter-se ao arado do Divino Cultivador.

Não façais da responsabilidade que vos honra a existência, trilho de acesso ao personalismo estreito de quantos se confinam à dominação do próprio egoísmo e à exaltação do próprio orgulho.

Não olvideis que a cisânia é venenoso escalracho, sufocando-vos as
melhores promessas, e de que os melindres pessoais são vermes devoradores, destruindo-vos a confiança e a caridade nascentes.

Usai a charrua da fraternidade e do sacrifício no amanho da Terra Espiritual que o Senhor vos confia, atentos ao desempenho dos próprios deveres, sem azedume e sem crítica, à frente daqueles que vos defrontam a marcha, de vez que o fel do escárnio e o vinagre da ironia constituem, por si, o fermento da discórdia, em cujo torvelinho de sombras todas as esperanças da Boa Nova sucumbem, esquecidas e aniquiladas.

O suor no dever retamente cumprido vacinar-nos-á contra todas as
campanhas de crueldade e ridículo e a humildade com a tolerância construtiva ser-vos-á divina força, assegurando-nos o serviço e renovando-nos a fé.

Lembremo-nos do Cristo e sigamos para frente!

É indispensável esquecer o mal, amparando-lhe as vítimas, para que o mal não nos aprisione em seu visco de sombra.

E, amando e servindo, auxiliando e compreendendo, estaremos na
companhia do Mestre que, ainda mesmo no martírio e na Cruz, refletia consigo a Luz Excelsa de Deus, em constante alegria e em perene ressurreição.

(Do Livro Doutrina de Luz, psicografado por F. C. Xavier – GEEM)

COMPROMISSO PESSOAL – Emmanuel

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“Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus.” – PAULO. (I Coríntios, 3:6)

Nada de personalismo dissolvente na lavoura do espírito.

Qual ocorre em qualquer campo terrestre, cultivador algum, na gleba da alma, pode jactar-se de tudo fazer nos domínios da sementeira ou da colheita.

Após o esforço de quem planta, há quem sega o vegetal nascente, quem o auxilie, quem o
corrija, quem o proteja.

Pensando, porém, no impositivo da descentralização, no serviço espiritual, muitos companheiros fogem à iniciativa nas construções de ordem moral que nos competem.

Muitos  deles, convidados a compromissos edificantes, nesse ou naquele setor de trabalho, afirmam-se inaptos para a tarefa, como se nunca devêssemos iniciar o aprendizado do aprimoramento íntimo, enquanto que outros asseveram, quase sempre com ironia , que não nasceram para lideres. Os que assim procedem costumam relegar para Deus comezinhas obrigações no que tange à elevação, progresso, acrisolamento ou melhoria, mas as leis do Criador não isentam a criatura do dever de colaborar na edificação do bem e da verdade, em favor de si mesma.

Vejamos a palavra do Apóstolo Paulo, quando já conhecia os problemas do autoaperfeiçoamento, em nos referindo à evangelização: “Eu plantei, Apolo regou, mas o
crescimento veio de Deus.”

A necessidade do devotamento individual à causa da Verdade transparece, clara, de
semelhante conceituação.

Sabemos que a essência de toda atividade, numa lavra agrícola, procede, originalmente, da Providência Divina. De Deus vêm a semente, o solo, o clima, a seiva e a orientação para o desenvolvimento da árvore, como também dimanam de Deus a inteligência, a saúde, a coragem e o discernimento do cultivador, mas somos obrigados a reconhecer que alguém deve plantar.

(Do livro Ceifa de Luz, psicografado por F. C. Xavier, editado pela FEB)