JOSÉ DA GALILEIA

“E projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: – José, filho de David, não temas receber a Maria.” – Mateus:-1-20

Em geral, quando nos referimos aos vultos masculinos que se movimentam na tela gloriosa da missão de Jesus, atendemos para a precariedade dos seus companheiros, fixando, quase sempre, somente os derradeiros quadros de sua passagem no mundo.

É preciso, porém, observar que, a par de beneficiários ingratos, de ouvintes indiferentes,
de perseguidores cruéis e de discípulos vacilantes, houve um homem integral que atendeu a Jesus, hipotecando-lhe o coração sem macula e a consciência pura.

José da Galiléia foi um homem tão profundamente espiritual que seu vulto sublime escapa às analises limitadas de quem não pode prescindir do material humano para um serviço de definições.

Já pensaste no cristianismo sem ele?

Quando se fala excessivamente em falência das criaturas, recordemos que houve tempo
em que Maria e o Cristo foram confiados pelas Forças Divinas a um homem.

Entretanto, embora honrado pela solicitação de um anjo, nunca se vangloriou de dádiva
tão alta.

Não obstante contemplas a sedução que Jesus exercia sobre os doutores, nunca abandonou a sua carpintaria.

O mundo não tem outras notícias de suas atividades senão aquelas de atender às ordenações humanas, cumprindo um édito de César e as que no-lo mostram no templo e no lar, entre a adoração e o trabalho.

Sem qualquer situação de evidencia, deu a Jesus tudo quanto podia dar.

A ele deve o cristianismo à porta da primeira hora, mas José passou no mundo dentro
do divino silêncio de Deus.

(Referência bibliográfica: Extraído da obra “Levantar e Seguir” de autoria do Espírito Emmanuel em psicografia de Francisco Cândido Xavier. FEB Editora. p. 12)

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União para Unificação!

bezerra

Bezerra de Menezes

Filhos e filhas da alma, que Jesus nos abençoe!

A união dos espíritas é ação que não pode ser postergada e a Unificação é o laço de segurança dessa união.

A união vitaliza os ideais dos trabalhadores, mas a Unificação conduz com equilíbrio pelas trilhas do serviço.

A união demonstra a excelência da qualidade Doutrina Espírita nos corações, mas a Unificação preserva essa qualidade, para que passe à posteridade conforme recebemos do ínclito Codificador.

Em união somos felizes. Em Unificação estamos garantindo a preservação do Movimento Espírita aos desafios do futuro.

Em união teremos resistência para enfrentar o mal que existe em nós e aquele que cerca o nosso caminho, tentando impossibilitar-nos o avanço. Em Unificação estaremos consolidando as atividades que o futuro coroará de bênçãos.

Em união marcharemos ajudando-nos reciprocamente. Em Unificação estaremos ampliando os horizontes da divulgação doutrinária em bases corretas e equilibradas.

Com união demonstraremos a nós mesmos que é possível amar sem exigir nada. Com Unificação colocaremos as ideias pessoais em planos secundários, objetivando a coletividade.

Com união construiremos o bem, o belo e o nobre. Com Unificação traremos de volta o pensamento do Codificador, preservando a unidade da Doutrina e do Movimento Espírita. Com união entre os companheiros encarnados, tornaremos mais fácil o intercâmbio entre nós outros, os que os precedemos na viagem de volta, e eles, que rumam pela estrada difícil. Com Unificação estaremos vivenciando o Evangelho de Jesus quando o Mestre assevera: Um só rebanho, um só pastor.

Unindo-nos, como verdadeiros irmãos, estabeleceremos o laço de identificação com os propósitos dos Mentores da Humanidade, que esperam a influência que o Espiritismo provocará no mundo, à medida que seja conhecido e adotado nas áreas ciência, das artes, do pensamento filosófico e das religiões.

União para Unificação, meus filhos, é o desafio do momento.

Rogando a Jesus que nos abençoe e nos dê a sua paz, o servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra

(Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, por ocasião do encerramento do Primeiro Congresso Espírita do Estado do Rio de Janeiro, na manhã de 25.01.2004, na sede da Federação Espírita do Rio de Janeiro, em Niterói, RJ)

Cura do Ódio

Cura

“Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. – Paulo. (Romanos, 12:20.)

O homem, geralmente, quando decidido ao serviço do bem, encontra fileiras de adversários gratuitos por onde passe, qual ocorre à claridade invariavelmente assediada pelo antagonismo das sombras.

Às vezes, porém, seja por equívocos do passado ou por incompreensões do presente, é defrontado por inimigos mais fortes que se transformam em constante ameaça à sua tranquilidade. Contar com inimigo desse jaez é padecer dolorosa enfermidade no íntimo, quando a criatura ainda não se afeiçoou a experiências vivas no Evangelho.

Quase sempre, o aprendiz de boa-vontade desenvolve o máximo das próprias forças a favor da reconciliação; no entanto, o mais amplo esforço parece baldado. A impenetrabilidade caracteriza o coração do outro e os melhores gestos de amor passam por ele despercebidos.

Contra essa situação, todavia, o Livro Divino oferece receita salutar. Não convém agravar atritos, desenvolver discussões e muito menos desfazer-se a criatura bem-intencionada em gestos bajulatórios. Espere-se pela oportunidade de manifestar o bem.

Desde o minuto em que o ofendido esquece a dissensão e volta ao amor, o serviço de Jesus é reatado; entretanto, a visão do ofensor é mais tardia e, em muitas ocasiões, somente compreende a nova luz, quando essa se lhe converte em vantagem ao círculo pessoal.

Um discípulo sincero do Cristo liberta-se facilmente dos laços inferiores, mas o antagonista de ontem pode persistir muito tempo, no endurecimento do coração. Eis o motivo pelo qual dar-lhe todo o bem, no momento oportuno, é amontoar o fogo renovador sobre a sua cabeça, curando-lhe o ódio, cheio de expressões infernais”.

Extraído da obra “Evangelho por Emmanuel”, comentários às Cartas de Paulo. Coordenação de Saulo Cesar Ribeiro da Silva. Editado pela Federação Espírita Brasileira no ano de 2017.

 

Palavra Falada

“Porque não há [algo] escondido que não se torne manifesto, nem oculto que não venha a [ser] conhecido e manifesto. Vede, pois, como ouvis […].” (Lucas 8:17 a 18)

A palavra é vigoroso fio da sugestão.

É por ela que recolhemos o ensinamento dos grandes orientadores da Humanidade, na tradição oral, mas igualmente com ela recebemos toda espécie de informações no plano evolutivo em que se nos apresenta a luta diária.

Por isso mesmo, se é importante saber como falas, é mais importante saber como ouves, porquanto, segundo ouvimos, nossa frase semeará bálsamo ou veneno, paz ou discórdia, treva ou luz.

No templo doméstico ou fora dele, escutarás os mais variados apontamentos.

Apreciações acerca da Natureza…

Críticas em torno da autoridade constituída…

Notas alusivas à conduta dos outros…

Opiniões diferentes nesse ou naquele assunto…

Cada registro falado traz consigo o impacto da ação. Contudo, a reação mora em ti mesmo, solucionando os problemas ou agravando-lhes a estrutura.

Por tua resposta, converter-se-á o bem na lição ou na alegria dos que te comungam a experiência ou transformar-se-á o mal no açoite ou no sofrimento daqueles que te acompanham.

Saibamos, assim, lubrificar as engrenagens da audição com o óleo do amor puro, a fim de que a nossa língua traduza o idioma da compreensão e da paciência, do otimismo e da caridade, porque nem sempre o nosso julgamento é o julgamento da Lei Divina e, conforme asseverou o Cristo de Deus, não há propósito oculto ou atividade transitoriamente escondida que não hajam de vir à luz.

Extraído da obra “O Evangelho por Emmanuel”, comentários ao Evangelho segundo Lucas. Coordenação de Saulo Cesar Ribeiro da Silva. Editado pela Federação Espírita Brasileira no ano de 2017. p. 92-93.

Polêmica Espírita – Allan Kardec

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Perguntaram-nos muitas vezes por que não respondíamos, em nossa revista, aos ataques de certas folhas contra o Espiritismo em geral, contra os seus partidários e por vezes mesmo contra nós. Cremos que em certos casos é o silêncio a melhor resposta. Além do mais, há um gênero de polêmica do qual tomamos por norma nos abstermos: a que pode degenerar em personalismo. Isto não só nos repugna, como nos tomaria um tempo que não podemos empregar inutilmente, além de ser muito pouco interessante para os nossos leitores, que assinam a revista para sua instrução e não para ler diatribes mais ou menos espirituosas. Ora, uma vez nesse caminho, difícil seria dele sair. Por isto preferimos nele não entrar. Parece-nos que com isto o Espiritismo só teria a ganhar em dignidade. Até aqui só temos que aplaudir a nossa própria moderação, da qual não nos arredaremos. Jamais daremos satisfação aos amantes de escândalos.

Entretanto, há polêmica e polêmica. Há uma ante a qual jamais recuaremos ─ é a discussão séria dos princípios que professamos. Contudo, aqui também deve ser feita uma distinção. Se se trata apenas de ataques gerais, dirigidos contra a doutrina, sem um fim determinado, além do de criticar, e se partem de pessoas que rejeitam sistematicamente tudo quanto não compreendem, não merecem a nossa atenção. O terreno diariamente ganho pelo Espiritismo é resposta peremptória e lhes deve provar que os sarcasmos não têm produzido grande resultado. Ainda há a notar que as intermináveis pilhérias de que eram vítimas os partidários da doutrina vão se extinguindo pouco a pouco. É o caso de perguntar se há motivos para rir de tantas pessoas eminentes, pelo fato de adotarem as ideias novas. Hoje alguns esboçam um sorriso apenas por hábito, enquanto outros absolutamente não riem mais e esperam.

Notemos ainda que entre os críticos há muita gente que fala sem conhecimento de causa e sem se ter dado ao trabalho de aprofundar-se. Para lhes responder fora necessário, incessantemente, recomeçar as mais elementares explicações e repetir aquilo que já escrevemos, o que nos parece inútil. Já o mesmo não se dá com os que estudaram e nem tudo compreenderam e com os que realmente querem esclarecerse, que levantam objeções de boa-fé e com conhecimento de causa. Neste terreno aceitamos a controvérsia, sem nos gabarmos de resolver todas as dificuldades, o que seria demasiada pretensão. A ciência espírita está em seu início e ainda não nos revelou todos os seus segredos, por maiores que sejam as maravilhas já desveladas. Qual a ciência que não mais possui fatos misteriosos e inexplicados? Confessaremos, pois, sem nenhum acanhamento, a nossa insuficiência sobre os pontos que ainda não podemos explicar. Assim, longe de repelir as objeções e as perguntas, nós as solicitamos, desde que não sejam irrelevantes e não nos façam inutilmente perder tempo com futilidades, pois que é esse um meio de nos esclarecermos.

É a isto que denominamos polêmica útil, e será útil sempre que ocorrer entre gente séria, que se respeita o bastante para não perder o decoro. Podemos pensar de modo diverso sem diminuirmos a estima recíproca.

Afinal de contas, que buscamos todos nessa palpitante e fecunda questão do Espiritismo? Esclarecermo-nos. Antes de mais nada buscamos a luz, venha de onde vier, e se externamos a nossa maneira de ver, não se trata de uma opinião pessoal, que pretendamos impor aos outros. Entregamo-la à discussão e estamos dispostos a renunciá-la, se nos demonstrem que estamos em erro.

Essa polêmica, nós a sustentamos diariamente, em nossa Revista, através das respostas ou das refutações coletivas que publicamos a propósito deste ou daquele artigo. Aqueles que nos honram com suas cartas encontrarão sempre a resposta ao que nos perguntam, toda vez que não nos é possível responder em carta particular, o que nem sempre é materialmente possível. Suas perguntas e objeções constituem outros tantos assuntos de estudo, de que nos aproveitamos pessoalmente; e nos sentimos felizes por estender esse proveito aos leitores, à medida que se apresentam fatos em conexão com as mesmas. Também sentimos prazer em dar explicações verbais às pessoas que nos honram com a sua visita e nas conferências caracterizadas por um cunho de entendimento, nas quais nos esclarecemos mutuamente.

(Revista Espírita – Novembro de 1858 – Polêmica espírita)

Fonte: https://www.kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/20/revista-espirita-jornal-de-estudos-psicologicos-1858/4461/novembro/polemica-espirita

ORAÇÃO – EMMANUEL

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A noite de 29 de julho de 1954 foi para nós de gratidão e júbilo.

Antevéspera do segundo aniversário de nossa fundação, foi a escolhida para a inauguração da sede definitiva do nosso Grupo, em Pedro Leopoldo. Instalados então em nossa casa simples, entregamo-nos à alegria íntima, através do serviço habitual, sem qualquer manifestação festiva de ordem exterior.

No término de nossas tarefas, Emmanuel, o nosso benfeitor de sempre, ocupou os recursos psicofônicos do médium e pronunciou a presente oração de agradecimento, que acompanhamos com toda a alma.

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Senhor Jesus, vimos de longe para agradecer-te a bondade.

Viajantes no tempo, procedemos de Tebas, da Babilônia, de Heliópolis, de Atenas, de Esparta, de Roma…

Tantas vezes, respiramos na grandeza terrestre!

Petrificados na ilusão, povoamos palácios de orgulho, castelos de soberba, casas solarengas da vaidade e dominamos cruelmente os fracos, desconhecendo a bênção do amor…

Reunidos aqui, hoje, em nosso pouso de fraternidade e oração, rogamos-te força para converter a existência em colaboração contigo!

Nós que temos guerreado e ferido a outrem, imploramos-te, agora, recursos para guerrear as nossas fraquezas e ferir, de rijo, nossas antigas viciações, a fim de que nos transformemos, afinal, em teus servos…

Ajuda-nos a regenerar o coração pela tua Doutrina de Luz, para que estejamos conscientes de nosso mandato.

Para isso, porém, Senhor, faze-nos pequeninos, simples e humildes…

Oleiro Divino, toma em tuas mãos o barro de nossas possibilidades singelas e plasma a nossa individualidade nova, ao calor de tua inspiração, para que, como a fonte, possamos estender sem alarde os dons de tua misericórdia, na gleba de ação em que nos convidas a servir.

Sem tuas mãos, estaremos relegados às nossas próprias deficiências; sem teu amor, peregrinaremos, abandonados à miséria de nós mesmos…

Mestre, cujos ouvidos vigilantes escutam no grande silêncio e cujo coração pulsa, invariável, com todas as necessidades e esperanças, dores e alegrias da Terra, nós te agradecemos pelo muito que nos tens dado e, ainda uma vez, suplicamos-te acréscimo de forças para que não estejamos distraídos…
Senhor, cumpra-se em nós a tua vontade e que a nossa vida seja, enfim, colocada a teu serviço, agora e sempre…

oOo

Houve expressivo interregno na comunicação do amigo espiritual. Em seguida, modificando a inflexão de voz, como se estivesse retirando o próprio sentimento da invocação a Jesus para entrar em familiaridade conosco, passou a dirigir-nos a palavra, em tom mais íntimo, continuando:

E a vós, meus amigos, com quem misturamos nossas lágrimas de regozijo e reconhecimento, dirigimos também nosso apelo!…

Achamo-nos em nova casa de trabalho…

Quantas vezes temos visto, no curso dos milênios, colunas aparentemente gloriosas transubstanciadas em pó, albergando ilusões que nos arremessaram ao charco das zonas inferiores!…

Nós que temos caminhado sobre os nossos próprios ídolos mortos, na insignificância da nossa condição de hoje, atentemos para a magnitude das nossas obrigações, aprendendo, por fim, a humildade, para não trairmos a confiança recebida…

Cessem para sempre em nós a impulsividade e a crítica, o egoísmo e a crueldade, porque toda a nossa grandeza terrena do pretérito foi bem miserável, restando-nos tão-somente a felicidade de estender mãos fervorosas ao Mestre Divino, para que ele nos ampare e renove…

Em nosso novo templo, sentimos a simplicidade reconquistada para que nos disponhamos ao espírito de serviço.

Prevaleça, então, em nós a compreensão fraternal cada vez mais ampla!
que o amor do Cristo nos governe os atos de cada dia, através da bondade e da paciência ]incessantes.

Convosco temos aprendido a alegria de confiar e servir e, nas horas escuras ou claras, agradáveis ou difíceis, temos sido ao vosso lado, não o orientador que nunca fomos, mas sim o companheiro e o irmão que podemos ser…

Nessa posição, estaremos em vossa companhia, cultivando o ideal de nossa transformação em Cristo Jesus.

Aprendamos, enfim, a dar de nós mesmos, em esperança e boa-vontade, trabalho e suor, tudo aquilo que constitui nossa própria vida, a benefício dos outros, para entrarmos na posse da Vida Abundante, reservada aos que se rendem à cooperação com a Providência Divina…

Partilham-nos a prece deste momento não apenas aqueles que se constituíram associados de nossa presente tarefa espiritual, mas também velhos amigos, dentre os quais avultam sacerdotes, guerreiros, juízes, legisladores, legionários, combatentes, intérpretes de leis humanas e inúmeras almas queridas que, em outro tempo, vitimadas pelos próprios enganos, desceram conosco ao despenhadeiro de lutas expiatórias!…

Todos, de armas ensarilhadas, desejamos atualmente para nós a espada do Cristo, a cruz, cuja lâmina, em se voltando para baixo, nos ensina que o trilho de paz e renunciação é o único capaz de conduzir-nos à verdadeira ressurreição.

Convosco lutamos, contando com o vosso concurso no trabalho constante do bem, pelo qual, um dia, nascerá a nossa comunhão perfeita com a luz divina.

Meus amigos, em nome de quantos oram conosco e de quantos esperam por nós, reiteramos o nosso profundo reconhecimento ao Senhor, implorando-lhe auxílio em socorro de nossas necessidades e levando-lhe igualmente a certeza de que  que perseveraremos no esforço de nossa regeneração, até o fim.

(Do livro “Instruções psicofônicas – FEB, por Espíritos Diversos, pelo médium F. C. Xavier.)

Entra e coopera – Emmanuel

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Mas levanta-te e entra na cidade, [lá] te será dito o que é necessário fazer. (Atos 9:6)

Esta particularidade dos Atos dos apóstolos reveste-se de grande beleza para os que desejam compreensão do serviço com o Cristo.

Se o Mestre aparecera ao rabino apaixonado de Jerusalém, no esplendor da Luz Divina e Imortal, se lhe dirigira palavras diretas e inolvidáveis ao coração, por que não terminou o esclarecimento, recomendando-lhe, em vez disso, entrar em Damasco, a fim de ouvir o que lhe convinha saber? É que a Lei da Cooperação entre os homens é o grande e generoso princípio, com o qual Jesus segue, de perto, a Humanidade inteira, pelos canais da inspiração.

O Mestre ensina aos discípulos e consola-os por intermédio deles próprios. Quanto mais o aprendiz lhe alcança a esfera de influenciação, mais habilitado estará para constituir-se em seu instrumento fiel e justo.

Paulo de Tarso contemplou o Cristo ressuscitado, em sua grandeza imperecível, mas foi obrigado a socorrer-se de Ananias para iniciar a tarefa redentora que lhe cabia junto dos homens.

Essa lição deveria ser bem aproveitada pelos companheiros que esperam ansiosamente a morte do corpo, suplicando transferência para os mundos superiores, tão somente por haverem ouvido maravilhosas descrições dos mensageiros divinos. Meditando o ensinamento, perguntem a si próprios o que fariam nas esferas mais altas, se ainda não se apropriaram dos valores educativos que a Terra lhes pode oferecer.

Mais razoável, pois, se levantem do passado e penetrem a luta edificante de cada dia, na Terra, porquanto, no trabalho sincero da cooperação fraternal, receberão de Jesus o esclarecimento acerca do que lhes convém fazer.


(Texto extraído de O EVANGELHO POR EMMANUEL: COMENTÁRIOS AOS ATOS DOS APÓSTOLOS e originalmente publicado em “Caminho, verdade e vida”, FEB Editora. Cap. 39, Psicografia de F. C. Xavier)

 

QUE FAZEMOS DO MESTRE? – Emmanuel

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“Que farei então de Jesus, chamado o Cristo?” – Pilatos (Mateus, 27:22).
Nos círculos do Cristianismo, a pergunta de Pilatos reveste-se de singular importância.
Que fazem os homens do Mestre Divino, no campo das lições diárias?
Os ociosos tentam convertê-lo em oráculo que lhes satisfaça as aspirações de menor esforço.
Os vaidosos procuram transformá-lo em galeria de exibição, através da qual façam mostruário permanente de personalismo inferior.
Os insensatos chamam-no indebitamente à aprovação dos desvarios a que se entregam, a distância do trabalho digno.
Grandes fileiras seguem-lhe os passos, qual a multidão que o acompanhava, no monte, apenas interessada na multiplicação de pães para o estômago.
Outros se acercam d’Ele, buscando atormentá-lo, à maneira dos fariseus arguciosos, rogando “sinais do céu”.
Numerosas pessoas visitam-no, imitando o gesto de Jairo, suplicando bênçãos, crendo e descrendo ao mesmo tempo.
Diversos aprendizes ouvem-lhe os ensinamentos, ao modo de Judas, examinando o melhor caminho de estabelecerem a própria dominação.
Vários corações observam-no, com simpatia, mas, na primeira oportunidade, indagam, como a esposa de Zebedeu, sobre a distribuição dos lugares celestes.
Outros muitos o acompanham, estrada a fora, iguais a inúmeros admiradores de Galiléia, que lhe estimavam os benefícios e as consolações, detestando-lhe as verdades cristalinas.
Alguns imitam os beneficiários da Judéia, a levantarem mãos-postas no instante das vantagens, e a fugirem, espavoridos, do sacrifício e do testemunho.
Grande maioria procede à moda de Pilatos que pergunta solenemente quanto ao que fará de Jesus e acaba crucificando-o, com despreocupação do dever e da responsabilidade.
Poucos imitam Simão Pedro que, após a iluminação no Pentecostes, segue-o sem condições até à morte.
Raros copiam Paulo de Tarso que se ergue, na estrada do erro, colocando-se a caminho da redenção, através de impedimentos e pedradas, até ao fim da luta.
Não basta fazer do Cristo Jesus o benfeitor que cura e protege. É indispensável transformá-lo em padrão permanente da vida, por exemplo e modelo de cada dia.
(Do livro Vinha de Luz – FEB, psicografado por Francisco Cândido Xavier)

O trabalhador divino – Emmanuel

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“A pá está na sua mão para limpar sua eira e recolher o trigo no seu celeiro, todavia queimará a palha com fogo inextinguível.” (Lucas 3: 17)

Apóstolos e seguidores do Cristo, desde as organizações primitivas do movimento evangélico, designaram-no através de nomes diversos.

Jesus foi chamado o Mestre, o Pastor, o Messias, o Salvador, o Príncipe da Paz; todos esses títulos são justos e veneráveis; entretanto, não podemos esquecer, ao lado dessas evocações sublimes, aquela inesperada apresentação do Batista. O Precursor designa-o por trabalhador atento que tem a pá nas mãos, que limpará o chão duro e inculto, que recolherá o trigo na ocasião adequada e que purificará os detritos com a chama da justiça e do amor que nunca se apaga.

Interessante notar que João não apresenta o Senhor empunhando leis, cheio de ordenações e pergaminhos, nem se refere a Ele, de acordo com as velhas tradições judaicas, que aguardavam o Divino Mensageiro num carro de glórias magnificentes. Refere-se ao trabalhador abnegado e otimista. A pá rústica não descansa ao seu lado, mas permanece vigilante em suas mãos e em seu espírito reina a esperança de limpar a terra que lhe foi confiada às salvadoras diretrizes.

Todos vós que viveis empenhados nos serviços terrestres, por uma era melhor, mantende aceso no coração o devotamento à causa do Evangelho do Cristo. Não nos cerceiem dificuldades ou ingratidões. Desdobremos nossas atividades sob o precioso estímulo da fé, porque conosco vai à frente, abençoando-nos a humilde cooperação, aquele trabalhador divino que limpará a eira do mundo.

(O Evangelho por Emmanuel: comentários ao Evangelho segundo Lucas (FEB), psicografado por F. C. Xavier e organizado por Saulo Cesar Ribeiro da Silva)

 

Comunicação do Espírito Bezerra de Menezes no 9º Congresso Estadual Espírita do RS

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Senhor Jesus,

Avança a tenebrosa noite das paixões. O crime e a hediondez dão-se as mãos no festival da loucura. As almas estorcegam no baile do desespero. As tempestades açoitam a Natureza ameaçando de caos. No entanto, a noite densa e aparvalhante lentamente cede lugar à madrugada libertadora.

A semelhança de um novo exército que atende a voz de comando, miríades de seres estelares mergulham na sombra da matéria para dar início à Era Nova.

Soam os clarins da Verdade em toda a parte. A esperança, a semelhança de uma primavera abençoada, aparece nos corações encharcados de angústia anunciando a chegada do Rei Solar à Terra em refazimento.

Desejamos louvar-te pelos anúncios e profecias anunciando o mundo pleno de corações redimidos e, por isso mesmo, rompe-se a densa cortina entre o mundo físico e o espiritual para que os Numes Tutelares volvam à Terra sofrida e restaurem a paz.

Somos aqueles que aprendemos a servir-te e compreendemos, a partir deste momento profundamente significativo, que o lema a viver é o amor e o paradigma a sustentar e demonstrar a nossa fé é o serviço. Recebe, desse modo, nossas almas profundamente coroadas pelas dádivas honrosas do sofrimento superado, dedicando-se a construção da plenitude em teu nome.

Encerramos uma etapa, outras são desenhadas para o porvir quando estarás reinando sobre nós e, na condição de servos, fiéis far-nos-emos assinalar pelas condecorações que conseguirmos em teu nome, as cicatrizes morais, as marcas de fidelidade.

Ontem, em holocausto, deram-te a existência os heróis que semearam a Tua luz na Terra, hoje também nos oferecemos em holocausto de ternura para que domines as províncias humanas. Já não serão necessários os circos, as arenas, o cárcere, o empalamento, a jogada nos fossos do padecimento, mas não podemos esquecer que para estar contigo necessitamos despir-nos das pesadas cangas do egoísmo, os fardos do ódio e do remorso, as culpas que nos atormentam, e superar as más inclinações.

Estamos dispostos Senhor, a doar-nos para aquilo que desejas em prol do mundo novo e melhor. Aqui estão os trabalhadores de ontem, que fracassamos, renovando entusiasmo e repetindo tarefas. Dispõe de nós como seareiros da última hora abençoando as existências com a entrega total ao teu amor.

Filhas e filhos do coração, Jesus é a solução final de todas as angústias!

Não temamos o mal nem as armadilhas da insensatez e da perversidade. Somente lobos caem nas armadilhas de lobos. A catapulta do amor alçar-nos-á aos altos cimos da imortalidade e cantaremos hosanas em triunfo, passadas as noites de tormentas e os dias de ansiedade.

Nós, os Espíritos espíritas, estamos convosco neste momento de alta significação. Exultemos juntos e juntos avancemos na direção do Mestre que nos guiará ao Reino da Plenitude.

Em nome de Deus, evocando a figura incomparável de Jesus, graças à misericórdia da Mãe Santíssima e o devotamento dos Guias Espirituais, consideramos encerrado este congresso na sua organização material, mas as suas luzes continuarão futuro afora, iluminando o caminho de todos nós na conquista do Reino de Deus.

Recebam, filhos e filhas, o carinho dos Espíritos encarregados de vos proteger e guiar, e o abraço do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra de Menezes.

Muita Paz.

(Psicofonia recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco no encerramento do 9º Congresso Estadual Espírita do Rio Grande do Sul, promovido pela FERGS, no dia 05/11/2017, na cidade de Porto Alegre)